de Elfriede Jelinek
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 184
Editor: Verso da História
ISBN: 9789898016102
Dimensões: 150 x 230 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Tipo de Produto: Livro
Pré-lançamento - envio a partir de 17-06-2015
Sinopse
Partindo de uma série de
escândalos financeiros um pouco por todo o mundo, Elfriede Jelinek utiliza a
realidade como pretexto para um jogo ardiloso de exacerbação e distorção
melodramática.
Sobre a autora
Elfriede Jelinek
PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2004
Elfriede Jelinek, de origem austríaca, marcou o panorama teatral e literário germânico e europeu do fim do século XX como nenhuma outra autora. Eminentemente política e feminista, ao mesmo tempo, soube forjar uma linguagem muito própria que utiliza como arma artística e estética contra os males e vícios das sociedades modernas - a exclusão das diferenças, os abusos de poder, os pesos sociais que asfixiam, esmagam e destroem.
Elfriede Jelinek
inscreve-se na tradição literária austríaca junto de grandes e polémicos
autores, tais como Karl Kraus e Thomas Bernhard. Tal como eles foi considerada
pornográfica e traidora da pátria, tendo recebido ameaças e visto o seu nome
arrastado para a lama. Autora mais do que reconhecida, galardoada com múltiplos
prémios literários, não deixou, no entanto, de ser marginalizada. Considerada
"degenerada" por parte da sociedade austríaca - supostamente a
extrema direita - a condenação recai sobre toda a sua obra, tanto no teatro
como na literatura.
Apesar de tudo isto (ou,
exactamente por tudo isto) a escritora foi laureada com o prémio Nobel da
Literatura 2004, tendo o comunicado da Academia Sueca destacado "o fluxo
musical das vozes e contra-vozes presente nos romances e peças" da autora,
que com "extraordinário zelo linguístico", revelam o "absurdo
dos clichés da sociedade".
Nascida a 20 de Outubro de
1946 na cidade de Murzzuschlag, na província austríaca de Styria, Elfriede
Jelinek é filha de uma mestiçagem cultural e religiosa: a mãe era uma austríaca
católica, pertencente a uma família da alta burguesia vienense; o pai,
engenheiro químico e autodidacta , era um judeu de origem checa oriundo de um
meio pobre, mas culto. Trabalhou em produção industrial estratégica durante a
Segunda Guerra Mundial, conseguindo com isso escapar à perseguição nazi.
Predestinada pela mãe a
transformar-se num génio da música, ingressa em 1950 no jardim de infância de
uma instituição religiosa, em Viena, onde, a partir dos 4 anos, estuda ballet e
francês. É muito cedo submetida a pressões cada vez mais fortes: a partir dos 7
anos a mãe obriga-a a frequentar aulas de piano, alto e violino, para além dos
estudos habituais na escola primária. Aos 16 anos entra para o Conservatório de
Música de Viena. Ingressou igualmente na Universidade de Viena para estudar
Teatro e História da Arte. Por fim, esgotada, acaba por adoecer e enfrentar uma
grave crise psicológica.
Asfixiada pelo domínio
materno, revolta-se contra a autoridade e direcciona a sua atenção para as
palavras e a linguagem, uma área descurada pela a mãe, mas estimulada pelo pai.
A autora afirmaria mais tarde: "O meu pai estava praticamente ausente. Não
gostava muito dele. Mas encorajou-me a afirmar-me através da linguagem e a
servir-me dela contra os adultos. A fé no poder das palavras é uma
característica da cultura judaica. Pergunto-me se, ao seguir o exemplo do meu
pai, ao servir-me da linguagem em vez de mergulhar na música, como queria a
minha mãe, não terei procurado salvá-lo dela e salvar-me a mim também. Não quero
dizer que ela seja totalmente negativa: é muito inteligente, poderosa,
impressionante. Sem ela o meu pai não teria sobrevivido". O pai de
Elfriede Jelinek tem um fim dramático: morre enlouquecido, em 1968, num
hospital psiquiátrico.
A partir do final dos anos
60 Elfriede Jelinek publica os seus primeiros textos e poemas, escreve para a
rádio e recebe os seus primeiros prémios literários. Em 1970 surge o seu
primeiro romance, "wir sind lockvogel baby!". É também no início da
década de 70 que se casa com Gottfried Hungsberg, passando a viver entre Viena
e Munique. Das suas novelas destacam-se "Die Liebhaberinnen" (1975),
"Die Ausgesperrten" (1980) e "Die Klavierspielerin (1983,
"A Pianista"), uma autobiografia que esteve na origem do filme de
Michael Haneke, em 2001. Descrição alucinante das relações infernais entre mãe
e filha, analisa de forma impiedosa a despersonalização de uma mulher em nome
da música. Um romance perturbante e escandaloso. Não menos escandaloso foi o
seu romance seguinte, "Lust", que surge em 1989. "Lust" é
ao mesmo tempo o desejo, o gozo, o prazer, "o livro que sempre quis
escrever", afirmaria a autora. Um texto pornográfico feminino, uma espécie
de anti-história inspirada em George Bataille e Sade.
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